10 de set de 2007

Entrevista com Laílton Araújo


Com 25 anos de vida profissional, lidando com produção e criação cultural, Laílton Araújo foi o fundador da banda Moxotó, em São Paulo, sendo hoje músico e vocalista da referida banda, é também um dos empresários artísticos do grupo “Raíces de América” e também empresário e produtor musical da legendária “Banda de Pífanos de Caruaru”. Possui atualmente um selo próprio o “ MXT- produções artísticas ” com mais de 30 cds gravados. Nessa conversa com o Veneza de Brasileiros, ele detalha um pouco da sua vida, da sua visão de mundo e de cultura.


Veneza de Brasileiros: Quem é o Lailton?

Laílton Araújo: Nasci em Sertânia - Pernambuco. Sou cidadão do mundo, músico, cantor, compositor, produtor artístico, aprendiz de escritor, ecologista, socialista, espírita, indomável, sertanejo e migrante. Sou ainda defensor da vida, liberdade de expressão e direitos humanos. Respeito qualquer posição política. Não sou o dono da verdade. Mas... Sei brigar se for preciso! Brigo por justiça! Sou livre. Ainda acredito na democracia como a melhor forma de governo.

Veneza de Brasileiros: Você se encontra mais na música, na atividade de empresário artístico ou na produção literária?


* Todas as atividades argumentadas fazem parte do aprendizado diário.

A música sem reciclagem e estudo pode ficar mecânica e as notas musicais sem o brilho da harmonia.

A atividade de empresário artístico no Brasil é desgastante. Empresas de pequeno porte e sem o “jeitinho brasileiro” para negociar, caminha diariamente para o caminho do fracasso. Estou de pé (sobrevivendo) há 18 anos por teimosia e amor à arte. Sei que minha função como empresário artístico gera empregos e impostos. O apoio, reconhecimento privado e governamental é igual à “perna de cobra”. Esse é um assunto longo... Desgastante!

A produção literária é uma forma de extravasar as pressões que a arte musical impõe no Brasil. Comecei por brincadeira e ainda continuo brincando de escrever. Não sou um escritor e nem tenho essa pretensão! Gosto apenas de cutucar a onça com a vara curta! Não é maldade! Eu ainda penso que sou criança! Às vezes sou mordido e quero revidar. Sei que quem fala (escreve) o que quer, escuta (recebe) o que não quer... É a lei da ação e reação! Como fui um péssimo ex-aluno (não formado) do curso de “Física” (PUC/SP), não costumo aplicar essas leis da natureza em minha vida. Sou ainda teimoso! Bode velho! Sertaniense indomável! Paulistano por adoção! Cidadão do planeta Terra. Por isso estudo “Ciências Biológicas”. A natureza também é indomável. Estou estudando a evolução das espécies. Sou um animal em evolução e uma alma em constante aprendizado. Sou espírita e espiritualista.

Veneza de Brasileiros: O Lailton, empreendedor cultural, como definiria cultura?


Laílton Araújo: Cultura é a expressão maior do ser humano. E a arte de moldar ou não moldar, o certo ou errado, e na visão da ótica de quem observa. É universal, sem credo ou estética. Não tem pátria... Cultura é a arte da modificação e evolução! Pode ser individual ou grupal. A massificação da cultura torna-se uma burocracia e expressão humana sem anarquia. Pela saúde no interior da arte: liberdade! (poeta Emiliano).

Veneza de Brasileiros: Quais os seus ícones de ontem e de hoje? E o seu livro de cabeceira?

Laílton Araújo: No Sertão de Pernambuco (até 1976) eu ouvi a música de Luiz Gonzaga, Nélson Gonçalves, Ataulfo Alves, Pixinguinha, Dorival Caymmi e grandes intérpretes brasileiros.

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The Beathes, Roberto Carlos, Jovem Guarda e as novidades dos anos 60, não passaram despercebidas aos meus ouvidos. Vieram os anos 70 e o velho, e criativo Raul Seixas - além de outros cantores e compositores “bregas” (para alguns). Para quem vivia no interior, sem jornais, revistas, televisão, telefone e recebendo sinais distorcidos de rádio, essas informações foram e são impagáveis.

Os circos e cinema Emoir de Sertânia (filmes exibidos com quase dois anos de atraso) foram de vital importância para a formação de um migrante. Não perdia um filme semanal. Vi na tela as maravilhosas Brigitte Bardod e Sofia Loren. O Vigilante Rodoviário (ator Carlos) era o herói brasileiro desse e outros meninos da época. Falei com Carlos (por telefone) na década de 90 - já em São Paulo. Ele trabalhava do Departamento de Turismo de uma cidade do litoral paulista. Conversamos quase 20 minutos. Outros enlatados americanos, faroestes verdadeiros e cópias italianas, moldaram a minha cara cultural. Até as películas “capa e espada” eram novidades. Assistindo aos espetáculos circenses - alguns sem lonas - percebi o descaso e discriminação social com os artistas. Comecei a entender o que é a sociedade brasileira.

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Na minha memória um fato ficou gravado: eu tinha 12 anos de idade... Ouvi o famoso Zé Cotó do Sertão das Alagoas (artista popular) tocar guitarra na feira de rua de Sertânia, sem dedos e tocando muito bem. Aplausos... Um ritmista do Zé Cotó (parecido com Jackson do Pandeiro) passava seu pandeiro em busca de alguns trocados. O público colocava moedas e algumas notas graúdas. Zé Cotó era um artista do povo. Talvez tenha inspirado os guitarristas do moderno calipso.

Já em São Paulo – 1976 - comecei outra vida... Ouvi Chico Buarque, Toquinho, Vinícius de Morais, Milton Nascimento e toda a turma da MPB. Ouvi ainda Caetano Veloso e Gilberto Gil. Conheci pessoalmente um gênio: Tom Zé. Cantando em um evento de rua (com a Banda Moxotó - minha banda), ele ouviu algumas músicas nossas, subiu no palco e me deu um abraço! Mostrou humildade, companheirismo e sabedoria em apoiar novos artistas. Tem muitas histórias... Daria um livro! Esqueci algo: Zé Ramalho! Talvez tenha sido o “Zé” o meu ícone como compositor e músico. Vi nele o Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e Zé Cotó do Sertão das Alagoas. Zé Ramalho com suas canções e aboios, traz a referência da feira de Caruaru e de Sertânia, para os ouvidos dos críticos musicais.

Sou um leitor maluco. Leio até bula de remédio! Quando vou dormir... Caio na cama e viajo para o espaço!

Veneza de Brasileiros: O que você acha da mídia virtual, a internet, qual o seu relacionamento com os sítios? Você domina informática? O que acha dos sítios que se dispõem a um viés "colaborativo"?

Laílton Araújo: A mídia virtual, a internet e os sítios democratizaram a informação mundial. Hoje é mais fácil pesquisar, trocar informações e divulgar qualquer produto. Por outro lado, a massificação tornou-se descartável, globalizada, pasteurizada e controlada pelo registro do endereço “IP”, de cada usuário no computador. É preciso saber navegar e ter o cuidado do que se escreve. Nem tudo que é publicado na Internet é verdadeiro. Nem tudo o que se publica chega ao outro lado. A tecnologia não pode passar por cima da “razão’. O “Over” pode virar “Ovo”! E se alguém fabricar um bolo ou peixada? Existirá a figura do “baba ovo”? É perigosa a idéia de comunidades, grupos fechados ou com idéias mais ou menos abertas! Sempre existirá um controle! Sítios parecem prisões!

Meu domínio de informática é de um simples usuário. Falando de viés “colaborativo”... A verdadeira informação é algo fundamental para o crescimento moral e intelectual de qualquer pessoa. Quando montei o blog “Diário do Caramujo”, coloquei “links” de sites e blogs comprometidos com a área de área de educação e cultura.

Veneza de Brasileiros: Como você percebe o governo Lula e o Gilberto Gil, essa parceria no campo administrativo cultural?

Laílton Araújo: Tenho fotos com o presidente Lula... Votei no homem e voto ainda. Sou seu crítico Nº 01 e vou continuar sendo. Cheguei a falar no ouvido do "Lula": esteja preparado para ser presidente! Ele respondeu: será companheiro! Minha frustração é a mesma de qualquer brasileiro. Por isso “pego no pé” do conterrâneo. Sei separar o "Lula" líder das massas, do "Lula" presidente. No momento, não vejo ninguém para acalmar os ânimos do país. Minha frustração é a mesma de qualquer brasileiro.

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Sou fã do cantor Gilberto Gil. Não gosto do "Gil" ministro. É a minha forma de ver a democracia. Eu sei aplaudir e criticar de forma construtiva... Até na forma de humor. Não tiro os méritos de algumas realizações do atual Ministro da Cultura.

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VB: A solução para o Brasil, passa necessariamente por que variantes?


Laílton Araújo:

* Educação para todos os cidadãos

A sociedade brasileira tem culpa pelo descaso com a educação de seus cidadãos. O "jeitinho brasileiro de dar nó em pingo d'água" e outras artimanhas de esperteza criam universos paralelos e anti-sociais. A educação não termina na colação de grau, com direito a diploma de “doutor” e anel no dedo em dia de formatura. Canudos ou títulos não foram feitos para enfeitar as paredes e dar "status". A educação é contínua e o educador tem o dever de repassar o conhecimento para os menos favorecidos. Conhecimentos guardados, sem princípios éticos ou apenas com interesses pessoais - deseduca toda a educação e os educandos, que buscam a tão necessária educação.

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* Combate ao verdadeiro problema da violência: falta de educação

A violência é um conjunto de fatores, multiplicados por milhares de condições propícias ao crescimento e não solução. Alguns falam na construção de presídios, pena de morte, pena perpétua e outras medidas de impacto para apaziguar os ânimos da sociedade dita moderna. E depois do dia “D”? Como serão as novas formas de correção?

Olhar os próprios pés ou mesmo, o próprio rabo (somos mamíferos e alguns possuem rabo) é o começo da mudança tão almejada por esta sociedade hipócrita, vestida de preconceitos e injusta, que acha que o atual modelo de civilização é o ideal.

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* A filosofia ajuda na mudança interior de qualquer ser humano

Portanto, seguimos como viajantes na busca do mistério da criação. Aplausos para a matemática; troféu especial para a biologia; menção honrosa para a física; elogios para a química... Mesmo assim, a sensibilidade do comentado Ser Humano mostra outros caminhos! Será que possuímos uma alma? Será que nossa curiosidade é observada?

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VB: Como você afere a situação do Brasil em relação ao mundo?

Laílton Araújo: Prefiro não comentar. O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) de cada país mostra a verdade.

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VB: Onde você gostaria de chegar e não chegou ainda? Quais suas metas, e expectativas?


Laílton Araújo: Eu estou viajando e viajante. Sou espírita! As metas foram traçadas pelo plano superior. Essa entrevista não foi programada... Aconteceu! Graças a Deus! Fiz mais alguns amigos!

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VB: Para encerrar, nos fale um pouco da Banda Moxotó e da MXT - Produções Artísticas.

Laílton Araújo:
* Banda Moxotó

Foi criada em 1981 na cidade de São Paulo, com a proposta de não fugir das raízes de seus integrantes - nasceram em Pernambuco e Maranhão - embora esteja na busca constante de novas e velhas informações culturais do planeta Terra. No Estado de Pernambuco, Moxotó é nome de rio e vale do Sertão. Moxotó é o mesmo que planície de índios bravios. A Banda Moxotó tem 25 anos de estrada. Gravou 10 álbuns fonográficos e participou de quase 1500 eventos no Brasil.

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* MXT - Produções Artísticas

Surgiu em 1990 para ajudar na assessoria artística, tendo como objetivo a ética no relacionamento entre os participantes do “Show Business”.

Artistas assessorados: Banda Moxotó, Lailton Araújo, Maria Dapaz, Dinho Nascimento, Raíces de América, Banda de Pífanos de Caruaru, Oswaldinho do Acordeon, Edinho Santa Cruz, Marisa Serrano, Sérgio Sá, Trio Nordestino (antigo) e Jane Santos.

Tel. (11) 9200-0987

e-mail: mxtprod@ig.com.br
mxtprod@bol.com.br

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